sábado, 27 de novembro de 2004

PÚBLICO: '«No princípio, tinha medo que me matassem, agora não sinto medo algum»'

Em 1986 quebrou o "tabu" nuclear de Israel, revelou que o Estado judaico possuía 200 ogivas, "o suficiente para destruir todo o Médio Oriente". Foi raptado e preso por Israel. Esteve 18 anos e meio na cadeia. Agora, sem passaporte, sem licença para deixar Israel ou falar com estrangeiros, espera um país que lhe dê asilo. Pode ser Portugal. Da nossa enviada Alexandra Lucas Coelho, em Jerusalém

Em Abril, quando terminou os seus 18 anos e meio de prisão, o israelita Mordechai Vanunu procurou "um lugar cristão" para viver, enquanto não lhe davam asilo no estrangeiro. A igreja anglicana de Saint Georges, em Jerusalém Oriental, que tem uma residencial com um belo jardim, acolheu-o. Aqui, o mais célebre ex-prisioneiro de Israel não paga estadia e vive das ajudas que recebe de apoiantes em todo o mundo.

Esta entrevista foi feita num hotel de Jerusalém Oriental faz amanhã uma semana, o primeiro dia em que Vanunu pôde sair à rua depois de uma semana de prisão domiciliária. Uma hora roubada a um longo serão com amigos estrangeiros. Aos 49 anos, o homem que quebrou o "tabu" nuclear de Israel aparenta boa forma física. Não fuma, praticamente não comeu, bebeu vinho tinto e ouviu mais do que falou, enquanto esteve à mesa. Está em constante alerta, olhando à volta, a cada ruído. Pouco antes da meia-noite, despediu-se e fez sozinho os dez minutos a pé até Saint Georges.

Por que é que, apesar das proibições, continua a falar com a imprensa e com estrangeiros?
Concluí que a forma de sair de Israel é exercer a liberdade de expressão. Ao falar, demonstro a Israel que não tenho mais segredos, além do que foi publicado há 18 anos. Tudo o que faço é falar das minhas visões políticas e do que aconteceu na prisão.

Desde que saiu do seu cativeiro, que esforços fez para tentar sair de Israel?
Como não posso ir às embaixadas, através de amigos pedi asilo a muitos Estados: Noruega, Dinamarca, Suécia, Irlanda, França, Canadá, Reino Unido, EUA... Continuo à espera que algum decida intervir e peça a minha libertação. Deviam fazê-lo. Não nos devemos esquecer que Israel pediu a muitos Estados para ajudar os judeus que estavam na Rússia, durante a Guerra Fria.

Até agora não recebeu qualquer resposta?
Não recebi qualquer resposta positiva.

Tem interlocutores em Israel? Gente com quem mantenha diálogo, dentro ou fora dos partidos políticos, no campo da paz, alguém com quem falar?
Tenho alguns, muito poucos, amigos que são contra a política nuclear de Israel, vêm visitar-me. Mas não têm poder. Os palestinianos apoiam-me. Mas do lado israelita, ninguém de qualquer partido me apoia.

Para onde gostaria de ir, se pudesse escolher?
Gostaria de ir à Europa e aos Estados Unidos, viajar. Tenho muitos amigos apoiantes em vários países.

Nos EUA, a ideia é ficar com os seus pais adoptivos, no Minnesota?
Sim. E com amigos. Ir a universidades, ensinar História, falar sobre a paz, movimentos anti-nucleares. Escrever o meu livro. É o meu futuro.

É uma autobiografia?
Sim, para que o mundo conheça a minha história.

Já está a escrevê-lo?
Ainda não, porque a Shabak [ou Shin Bet, serviços secretos internos de Israel] pode confiscá-lo, usá-lo contra mim, para me impedir de sair de Israel. Quero escrevê-lo e publicá-lo quando deixar este país.

O que é que o levou a revelar o arsenal nuclear israelita?
Chamar a atenção do mundo para o que Israel estava a fazer: tinha cerca de 200 bombas atómicas. O meu objectivo era prevenir uma guerra nuclear no Médio Oriente, e impor a Israel que fizesse a paz com os árabes, com os palestinianos. Depois da Guerra Fria, foi um pouco o que aconteceu, Israel começou a negociar com Arafat, houve os Acordos de Oslo [1993]. Nada resultou destas iniciativas. A situação ainda é muito má. Mas uma coisa foi conseguida: Israel não pode usar as bombas atómicas. Era o que eu queria.

Vem de uma família de judeus ortodoxos, em criança estudou numa escola religiosa, trabalhou na central nuclear de Dimona. Quando é que começou a olhar as coisas de uma forma diferente? Como é que chegou a esse momento em que se decidiu pela denúncia?
Antes de Dimona, nunca estive envolvido politicamente, na direita ou na esquerda. Aos 18, 19 anos comecei a criticar as políticas religiosas, judaicas, de Israel, mas não expressava as minhas convicções políticas. Fui trabalhar para Dimona porque precisava de um emprego. Ao fim de um, dois anos, apercebi-me do que estavam a fazer ali. E durante os bombardeamentos israelitas na Guerra do Líbano, em 1982 comecei a ser crítico em relação a Israel. Estava simultaneamente a estudar geografia e filosofia na universidade, e fui desenvolvendo as minhas ideias políticas. Tornei-me cada vez mais crítico. Envolvi-me em política na universidade, a cooperar com os palestinianos, isto à volta de 1983. Ao longo dos nove anos em Dimona tomei consciência deste sistema israelita de engano e mentira numa matéria tão sensível como armas atómicas.

E de repente houve um dia em que decidiu que não queria trabalhar mais ali?
Não. Decidi dois ou três anos antes de deixar Dimona que sairia de Israel e publicaria o que eles estavam a esconder.

Foi por isso que entretanto tirou fotografias e notas?
Sim, para as publicar. Os serviços secretos sabiam que eu estava envolvido em política, com os palestinianos, e chamaram-me algumas vezes para me interrogar. Prometi parar, mas continuei a falar com palestinianos. Tentaram demitir-me. E ao fim de alguns meses, demiti-me. Acabara os meus estudos, não tinha nada a fazer em Israel. Vendi a minha casa, tudo.

E foi para o Extremo Oriente.
Sim, ia a caminho dos Estados Unidos e queria ver o Extremo Oriente.

Onde se converteu ao cristianismo.
Quando cheguei à Áustrália, decidi começar uma vida nova, e parte dessa vida nova era converter-me ao cristianismo.

De onde é que isso tinha nascido?
Desde o fim da adolescência que eu rejeitara ser judeu. Queria libertar-me do judaísmo. Quando estudei filosofia na universidade, essa rejeição continuou.

Falou em libertar-se do judaísmo. O que é que isso significa? O que é que encontrou no cristianismo?
Na fé judaica, não basta rejeitarmos ser judeus. Se não nos convertemos a outra fé, continuamos a ser judeus, ainda que não sejamos crentes e praticantes. Portanto, a forma de me libertar era converter-me a outra fé.

Converteu-se só por isso?
E também para conhecer o cristianismo. Entendê-lo por dentro. Depois gostei muito. Gostei muito da vida e do caminho de Jesus como ser humano na Terra. Ele representa as mesmas questões que eu tenho em relação ao judaísmo. Revi os meus sentimentos nele. E depois na prisão, ao ler, aprendi muito mais sobre a fé cristã.

Na Austrália conhecia alguém? Como foi parar à igreja onde se converteu?
Não conhecia ninguém. Simplesmente entrei numa igreja em Sidney. Comecei a ir a essa igreja anglicana onde as pessoas iam ao domingo rezar. Gostei e decidi baptizar-me.

Quanto tempo passou lá?
Cheguei em Maio, fui baptizado em Agosto. Em Setembro comecei a dar a história ao "Sunday Times", fui para Londres, continuar a fazê-lo. E depois fui raptado.

O que é que aconteceu ao certo em Londres quando conheceu a mulher que o raptou, Cheryl?
Isso foi o que alguns jornalistas escreveram, mas o nome verdadeiro dela era mesmo Cindy. Não era uma espia judia, uma agente da Mossad. Era apenas uma agente dos EUA, talvez da CIA ou do FBI.

Como é que está certo disso?
Estive com ela durante uma semana, falámos, passámos muito tempo juntos. O jornalista do "Sunday Times" Peter Hounan [autor do trabalho de 1986, com as revelações sobre o arsenal de Israel] foi enganado, convencido a encontrar essa mulher e escrever sobre ela.

Então Cindy não é a mesma que o "Sunday Times" foi encontrar na Florida a vender "time sharings", com o nome de Cheryl?
Não. O nome dela é Cindy. De Filadélfia. Americana, não judia. A trabalhar com a CIA ou outra organização que cooperava com Israel.

Quando deu a entrevista ao "Sunday Times", tinha consciência de que algo lhe podia acontecer, ou não? Não receava que Israel o capturasse?
Sim, sabia que iam tentar apanhar-me, raptar-me, matar-me. Mas eu sentia que tinha a obrigação de dizer ao mundo o que se passava.

Entre dar a entrevista e ela ser publicada, tentou esconder-se?
O que aconteceu foi que o "Sunday Times" prometeu publicar a história no domingo seguinte. Mas durante três semanas adiaram a publicação. Pensei que talvez a Mossad me estivesse a vigiar, a seguir. E que deveria sair de Londres até a história ser publicada. Então conheci esta mulher Cindy...

Em Leicester Square. Como era ela?
Jovem, simples, aparência agradável. Não percebia muito de política. Disse que me queria ajudar, contei-lhe que me queria esconder...

Confiou completamente nela.
Sim. Também já não havia nada de secreto, porque o "Sunday Times" tinha ido à embaixada israelita com as informações, com as fotos, para tentar obter uma reacção.

Cindy persuadiu-o a ir com ela para Roma, onde supostamente tinha uma irmã. O que é que aconteceu quando chegaram?
Havia um italiano à nossa espera, com um carro, no aeroporto. Disse que era um amigo da irmã dela. Levou-nos para uma casa num subúrbio de Roma. Mal entrei, atacaram-me. Dois homens atiraram-me ao chão, uma mulher injectou-me uma droga e perdi a consciência. Mais tarde, injectaram-me outra vez. Deram-me roupas, e sob o efeito dessa droga levaram-me para o carro. Tinha consciência do que se passava, mas não tinha controlo, não conseguia fazer nada. Conseguia ver e ouvir.

E Cindy?
Desaparecera. Havia dois homens, um israelita, outro francês, e uma mulher israelita. No caminho, despertei e tentei saltar, parar o condutor, mas bateram-me e drogaram-me outra vez. Ao fim de uma hora chegámos a uma praia abandonada. Levaram-me para um pequeno barco militar, onde passei sete dias, desde a praia até Israel.

Como eram as condições no barco?
Estava num pequeno quarto, com as mãos e os pés presos à cama. Perguntei: "Quem são vocês?" Responderam: "Somos franceses, britânicos e israelitas." Ao fim de sete dias chegámos a Israel e a Shabak estava à minha espera na praia. Levaram-me de carro para a prisão de Ashkelon. Começaram a interrogar-me.

A história de ter escrito na sua mão informações sobre o rapto, e de ter comprimido a mão contra o vidro do carro em que estava a ser levado, aconteceu quando?
Na prisão tinham-me dito para não falar do rapto. E não permitiam aos jornalistas falar comigo. Então decidi dar a informação assim, comprimi-la contra a janela do carro que me levava ao tribunal. E os jornalistas tiraram fotos.

O que escreveu?
Que me tinham raptado em Roma. Que chegara a Roma na British Airways, voo 504, a 30 de Setembro. Porque ninguém sabia o que acontecera.

Na prisão, o que é que o ajudou a sobreviver?
Decidi que não os ia deixar mudar a minha mente, a minha fé, as minhas ideias. Podiam manter-me na prisão, mas o meu espírito era livre, estava nas minhas mãos. Portanto, combati-os protegendo as minhas crenças, mantendo o meu espírito livre.

Como fez isso?
Praticando a minha fé cristã, rezando, pedindo para ver um padre, lendo, ouvindo música, escrevendo cartas, só para provar que era livre.

Nos primeiros 11 anos esteve isolado.
Em total isolamento numa pequena cela de dois metros por três. Durante dois anos, mantiveram a luz acesa durante 24 horas e uma câmara ligada. Não usaram força física contra mim. Fizeram-me uma guerra psicológica, cruel, perturbando-me o sono, atrasando o meu correio, enviando gente que dizia o que lhe apetecesse.

Quando foi libertado, qual o seu primeiro pensamento? Onde é que queria ir?
Depois de 18 anos e meio, acreditava que me iam deixar sair de Israel e viver a minha liberdade, que já bastava de castigo. Mas depois disseram que eu não poderia deixar Israel nem falar a estrangeiros durante um ano. Isso foi muito duro. Os serviços secretos continuam a punir-me.

Teme pela sua vida?
Não, ultrapassei esse medo quando estava na prisão. No princípio tinha medo que me matassem, que nunca mais me deixassem sair. Mas depois decidi ser forte e não temer nada. Agora não sinto medo algum, mas tenho consciência de que podem fazer-me o que quiserem, têm esse poder.

Sente-se sozinho?
Não, tenho muitos amigos, activistas da paz de todo o mundo, da Europa, dos Estados Unidos, do Japão, da Austrália. Apoiaram-me durante a prisão e depois.

Mas no seu dia-a-dia, quem é que tem de próximo?
Não tenho alguém muito próximo. Os amigos são pessoas que vêm e vão.

E a sua família? Os seus irmãos?
A minha família são judeus ortodoxos, portanto não tenho qualquer relação com eles. Apenas com três dos meus irmãos, um é-me próximo, esteve comigo em Saint Georges, com os outros dois estou em contacto telefónico. A minha família verdadeira são os pacifistas que me apoiam.


UM APELO A PORTUGAL

"Quero agradecer aos muitos portugueses que me escreviam quando eu estava na prisão. Havia um grupo chamado Amnistia Internacional 19, de Lisboa. Se querem ajudar-me agora, podem pedir asilo para mim em Portugal. Estou a pedir asilo em muitos países, qualquer Estado que me ajude a sair de Israel seria bem-vindo. Espero que Portugal tenha a coragem e a capacidade para um acto assim. É uma boa notícia que Portugal agora tenha Barroso como líder na União Europeia. Penso que os pequenos Estados têm poder, sentido de justiça e consciência para trabalhar por novas ideias na Europa, para corrigir os erros das velhas superpotências. A Inglaterra fez um grande erro ao estabelecer um Estado judaico na terra palestiniana. França ajudou Israel dando-lhe um reactor nuclear para produzir bombas atómicas. A Alemanha deu-lhe muito poder, dinheiro. Talvez os novos Estados, de Portugal à Polónia, possam fazer muito mais pelos palestinianos, e talvez também pelo meu caso. Visitei toda a Europa, mas não Portugal, e ficaria feliz de ver Lisboa, um dia. Tão cedo quanto possível"
Mordechai Vanunu

In http://jornal.publico.pt/2004/11/26/Mundo/I07.html


A HISTÓRIA DE UM CASO CÉLEBRE

Mordechai Vanunu tornou-se um "caso" internacional no Outono de 1986. Depois de dar ao jornal britânico "Sunday Times" provas de como Israel possuía 200 ogivas nucleares, "o suficiente para destruir todo o Médio Oriente", foi seduzido em Londres por uma espia que se apresentou como "Cindy" e o levou para Roma, onde agentes ao serviço da Mossad o raptaram e levaram para Israel.

Acusado como "traidor" que pusera "em causa a segurança do seu próprio país", foi julgado à porta fechada e condenado. Sucederam-se, em vão, campanhas pedindo a liberdade do "primeiro refém nuclear", de um herói da causa pacifista. Um casal idoso do Minnesota, Estados Unidos, adoptou-o.

Como é que Vanunu - um dos 11 filhos de judeus ortodoxos emigrados de Marrocos para Israel, era ele criança - tomara conhecimento das informações sobre o arsenal? Trabalhando nove anos na central nuclear de Dimona (no deserto do Negev). Um posto modesto, mas com acesso suficiente ao que durante décadas fora escondido às inspecções internacionais.

Cumpridos os 18 anos, Vanunu viu-se livre, mas sem passaporte e sem licença para deixar Israel, falar com estrangeiros ou dar entrevistas, por um ano. Mas, na sua "casa" de Saint Georges, tem recebido visitas de apoiantes internacionais e deu entrevistas. Quando a morte de Arafat foi anunciada, "estava na sala de pequeno-almoço, com amigos, pelas nove da manhã", quando o pátio da igreja foi invadido. "Vimos duas motas a entrar, com dois homens cada, de roupa e capacetes negros. Saltaram, com armas automáticas, e depois chegaram três ou quatro carros da polícia, com agentes armados, aí uns 15. Pensei: 'Andam atrás de alguns palestinianos.'" Mas era mesmo com ele.

"No meu quarto, revistaram tudo, tiraram-me o computador, papéis, CD, DVD, puseram tudo numa caixa e levaram-me para uma esquadra. Disseram-me que era suspeito de não respeitar as proibições de Israel, e acusaram-me de revelar segredos", conta.

Vanunu diz que o mandado de detenção que lhe mostraram tinha data de 19 de Outubro, prova de que "tudo foi montado" para o prenderem nesse dia em que as atenções estavam voltadas para a Muqata, em Ramallah. Levado a um juiz, reafirmou que não tinha mais segredos além dos que revelara em 1986; ficou uma semana em prisão domiciliária.

In http://jornal.publico.pt/2004/11/26/Mundo/I07CX01.html


"Israel Não É Uma Verdadeira Democracia"

Vanunu não acusa só Israel de ser um Estado-apartheid - diz que os judeus não estão preparados para um país secular e democrático.

Que solução defende para o conflito israelo-palestiniano?
A solução é muito simples: que Israel e o mundo respeitem os palestinianos como seres humanos com direitos iguais em Israel.

Em Israel?
Em Israel ou na Palestina. Num único novo Estado que seria para judeus e palestinianos. O que temos neste momento é um Estado-apartheid para os judeus, onde os palestinianos não têm direitos e estão sob ocupação há muitos anos. Israel não é uma verdadeira democracia, qualquer pessoa pode ver isso. Conseguiu fazer uma lavagem ao cérebro aos EUA e outros Estados ocidentais no sentido de acreditarem que era uma democracia, mas de facto não é. O futuro deve ser o estabelecimento de uma verdadeira democracia pelo povo, judeus e palestinianos.

Está a falar de um Estado que significará o fim do sonho sionista, de um Estado judaico, porque muito em breve os árabes serão a maioria. Está a falar do fim de Israel.
O sonho sionista acabou quando um Estado judaico foi fundado em 1948. Os judeus podem continuar a vir para cá. O que precisamos agora é que os palestinianos regressem, os refugiados que vivem em campos há 50 anos.

Essa não é uma perspectiva muito realista. Mesmo figuras empenhadas na paz, dos dois lados, lutam por uma solução de dois Estados. Como poderá o mundo apoiar uma solução como a que defende?
O mundo deve apoiar uma solução de verdadeira democracia. De outra forma, independentemente de Israel, não será uma solução real. A paz real é através de um Estado secular para todos. Se continuarem com este Estado sionista, de apartheid, o conflito continuará. Não é um problema que venha dos palestinianos. Os judeus é que não estão preparados para um Estado secular e democrático.

Sexta-feira, 26 de Novembro de 2004
In http://jornal.publico.pt/2004/11/26/Mundo/I07CX02.html

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